O agronegócio da agricultura irrigada em cultivos protegidos
Seja fazendo florescer belas flores na aridez de
Israel, para faturar no rico poder aquisitivo da
Europa, seja na produção de hortaliças no fantástico
trabalho desenvolvido pelos espanhóis na região
de Almeria, há um invejável cumprimento de
cronogramas na entrega de produtos, atendendo a
contratos firmados antes dos plantios. Um profissionalismo
e uma organização que precisam ser perseguidos
para que haja melhores condições de vida para os
produtores brasileiros.
No vastíssimo campo dos agronegócios da agricultura
irrigada, desde as chamadas biofábricas, para a
produção de mudas de alta qualidade com avançados
recursos da biotecnologia, até a viabilização da produção
comercial de hortaliças, contornando-se as condições
desfavoráveis, ao longo do ano, os cultivos protegidos
configuram-se como solução.
No Brasil, já existem trabalhos competentes, de
reconhecido sucesso do uso da água, com organizações
de importantes clusters, a exemplo dos das regiões de
Holambra, de Mogi das Cruzes e de Atibaia, em São
Paulo, talvez os mais consolidados. Há, também, uma
série de iniciativas em andamento, com pioneirismo,
sucessos, mas também frustrações.
Nesse sistema produtivo, há uma ampla perspectiva
de transformar pequenos mananciais hídricos em
grandes negócios, incluindo-se aí o aproveitamento da
infra-estrutura de proteção das plantas, para captação
de água das chuvas. Entre esses negócios está o da
hortaliça fresca, com qualidade, com boa apresentação
e higiene, com maior aproveitamento e facilidade de
manuseio na cozinha, com a possibilidade de estar
disponível no mercado ao longo do ano. Uma saudável
aspiração de qualquer comunidade.
Os setores científico e tecnológico têm importante
papel a desempenhar no desenvolvimento equilibrado
dos cultivos protegidos no Brasil. Não há nada mais
lógico do que a produção ordenada, em série, favorecendo
os cronogramas de mercado, os controles de
produção e o melhor aproveitamento dos insumos,
podendo-se multiplicar por várias vezes o que se produz
a céu aberto. Trata-se de um negócio promissor,
que exige capacitação e segura inserção no mercado,
além de um diferenciado conhecimento de irrigação,
de fertirrigação, de controle de pragas e doenças e de
como montar uma infra-estrutura, para manter o microclima
que se deseja para cada espécie de planta.
Exige, ainda, capital, mas é um investimento que
pode diminuir o que há de mais perverso, que é o risco
agrícola. Ao conjugar essa possibilidade com o melhor
ordenamento da oferta dos produtos, abre-se a perspectiva
de implementação de políticas voltadas para esse
setor, com nítidas vantagens de alocações de recursos
em financiamentos compatíveis com cada exploração.
Assim, esta edição da revista ITEM inclui dois
números acumulados. Trata da irrigação e cultivos
protegidos, da fertirrigação em hortaliças, dos coeficientes
de cultivos e do arcabouço institucional de Minas
Gerais para tratar da água e das bacias hidrográficas.
Dessa forma, interagindo-se com diversos segmentos,
trouxe à baila mais subsídios e alternativas para a
racional utilização da água, e buscou exemplos, trabalhos
técnico-científicos, experiências práticas, discutindo-
os em reportagens com diversos colaboradores,
que enriqueceram essa edição com referências e balizamentos
para esse fórum constituído pela ABID, que
precisa ser fortalecido e ampliado pelas ações de cada
um de nós. Assim, não há como terminar sem lembrar
do XII Conird e agendar Uberlândia, de 9 a 13 de
setembro de 2002.
Helvécio Mattana Saturnino
Presidente da Abid
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