Recado aos futuros governantes
O agronegócio da agricultura irrigada no Brasil
tem seu desenvolvimento marcado por muitas
decisões políticas. Assim, é auspicioso participar
da organização e realização do XII Conird, às
vésperas de uma importantíssima eleição, onde todos os
candidatos buscam saídas que possam proporcionar um
equilibrado desenvolvimento, com um amplo espectro
de geração de empregos, com o potencial de absorver
desde um analfabeto até os mais sofisticados profissionais,
como os da Engenharia Genética, e dos mais
variados campos abertos pelos avanços científicos e
tecnológicos.
Assim, descortinam-se para os brasileiros um pujante
mercado interno a ser explorado e um rico e promissor
mercado externo a ser sabiamente conquistado.
Existem vantagens comparativas no que diz respeito à
disponibilidade de água, de solos e clima, com um semiárido
único no mundo e um cerrado com muita água,
enfim, um país clamando por investimentos na irrigação
e drenagem para alavancar mais prosperidade, com
mais oportunidades de emprego, atendendo-se às necessidades
que se delineiam com os zoneamentos
agroecológicos, hoje embasados em sólidos conhecimentos,
sob o domínio das instituições brasileiras.
A essência dos Conirds está justamente na difusão e
troca dessas experiências, diante dos balizamentos
regulatórios e das oportunidades de mercado, exercitando-
se uma ampla integração tecnológica entre os
diversos atores dessas cadeias produtivas. Busca-se um
processo dialético que abraça, desde a conservação e a
captação da água, até o momento de realização das
vendas dos produtos desse agronegócio com base na
irrigação e drenagem, com as mais variadas formas de
agregação de valores.
E é calcado nesse acervo institucional e de recursos
humanos, forjado sob as mais diferenciadas políticas
para o setor nessas últimas décadas, que se pode elaborar
o XII Conird, retratado nesta edição da ITEM.
Constata-se uma riquíssima programação que aponta
para o amanhã, engrandecendo esse fórum constituído
pela Abid. Um amanhã que vai precisar de firmes decisões
políticas para o fortalecimento do setor produtivo,
para a imediata retomada de inúmeros projetos particulares,
cerceados por injunções incontroláveis, com pendências
que precisam ser bem equacionadas.
Junto aos perímetros públicos, onde o privado comparece
com significativos investimentos, há muito a
resolver e concluir, desde a logística voltada para os
ganhos em competitividade, à tramitação do projeto de
lei da irrigação que empacou no Senado, ao fortalecimento
e melhor ordenamento institucional, aproveitando-
se ao máximo as experiências existentes e aos esforços
e trabalhos voltados para o planejamento dos
agronegócios calcados na agricultura irrigada. Isso significa
investir em favor de mais empregos, da segurança
alimentar e da prosperidade, com todas as condicionantes
para que se logre também a segurança hídrica e a
sustentabilidade ambiental.
Ocupada essa capacidade ociosa, condição básica
para a racionalidade nos investimentos, há que se partir
em paralelo para o arranjo e o fortalecimento
institucional, com o ordenamento das ações. Tudo para
que se possa capitalizar progressivamente sobre esse
legado, constituído por recursos humanos cada vez mais
capacitados, fazendo-se desse embate uma das formas
de maior alcance socioeconômico e ambiental, para
atender às prementes necessidades da sociedade brasileira.
Helvécio Mattana Saturnino
Presidente da Abid
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