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Irrigação, drenagem e controle de enchentes
Uma das grandes bandeiras da ABID tem sido
a de que cada Estado tenha um especial foco
na agricultura irrigada, fomentando-a. Do
norte ao sul do Brasil proliferam exemplos do quanto
estratégico é esse investimento. Basta a constatação
das recorrentes secas ao sul, dos problemas das enchentes
nas mais diversas regiões, dos veranicos nas
regiões Sudeste e Centro-Oeste, das crônicas dificuldades
do nordeste brasileiro e dos desafios que se
abrem ao norte, entre muitos outros.
Ao contabilizarem-se os nefastos efeitos da falta,
ou excesso, de chuvas, evidencia-se facilmente a importância
dos investimentos na irrigação, na drenagem
e no manejo das bacias hidrográficas, com vistas
ao melhoramento da recarga dos aqüíferos subterrâneos,
à contenção das águas através de represas, ao
controle da erosão, enfim, à maior regularização do
fluxo hídrico ao longo do ano. Tudo isso proporciona
um equilibrado sistema para os produtores, ao trabalharem
continuamente com esses objetivos, a fim
de que cada unidade produtiva seja devidamente
atendida com os recursos hídricos.
Ao final de 2003, quando do lançamento do XIV
Conird, no Rio Grande do Sul, as empresas que
atuam na ponta da genética do milho, já sinalizavam
com produtividades comerciais de até 200 sacos de
milho/ha. Qual o valor da irrigação suplementar para
com o principal cereal do agronegócio brasileiro?
Quanto representa essa perda recorrente, muitas vezes
total, provocada pelo déficit hídrico? O que significa
ficar persistindo nessa verdadeira loteria, tentando-
se driblar os veranicos? Qual a solução para
esse freqüente impasse?
Seja com um patamar de 200 ou 100 sacos de milho/
ha, seja com outras culturas de maior valor agregado,
evidencia-se o quanto se pode implementar nas
relações solo-água-planta, com a sábia utilização do
acervo de conhecimentos existentes, com mais investimentos
na pesquisa e mais programas de fomento à
agricultura irrigada. As sazonalidades e as irregularidades
das chuvas precisam ser enfatizadas, tendose
o investimento na agricultura irrigada como o na-
tural antídoto para essa recorrente tragédia de perdas.
O risco agrícola faz da esperança dos bons lucros
o pesadelo dos crescentes endividamentos do
setor. Perdem todos.
Há um enorme potencial a ser explorado para
reverter esse quadro. Esse potencial vai desde a utilização
de águas servidas, com aproveitamento inclusive
de esgotos urbanos, até uma sustentável exploração
de águas subterrâneas, sem perder de vista o
fantástico suprimento de águas superficiais, para fortalecer
o agronegócio brasileiro com engenhosos programas
de irrigação.
Esta edição da ITEM enfatiza e traz reflexões
sobre vários desses aspectos. Vale ressaltar o exemplo
da Associação dos Usuários do Duro (AUD), no
dia de campo do XIV Conird, ocorrido em Camaquã,
RS. Trata-se de um trabalho que precisa permear cada
vez melhor pelo Brasil, que é o da gestão compartilhada
de barragens, fazendo-as cada vez mais acessíveis
aos produtores.
Para a realização do XV Conird, de 16 a 21 de
outubro de 2005, a ABID está mais forte e mais
revitalizada com a composição do seu Conselho Diretor
e de sua Diretoria, que contam com a mais
ampla representação. Trata-se de fruto do persistente
trabalho de retomada da ABID e do crescente
apoio dos vários elos desse agronegócio. Isso faz com
que todos estejam engajados, para que os eventos
atendam às mais variadas expectativas. Já é momento
para as devidas mobilizações. Como sempre, uma
imperdível agenda para bons negócios, muito aprendizado,
troca de experiências e um rico convívio, com
amplas oportunidades para todos.
Helvécio Mattana Saturnino
Presidente da Abid
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